sábado, 26 de abril de 2008

Cura



No livro Liberação Somatoemocional, John Upledger menciona uma frase (não de sua autoria) que diz: Não existe doença sem conflito. O significado pode ser explorado de várias maneiras e gerar discussões infindáveis. No entanto, se olharmos de forma abrangente, veremos que a doença exige uma reestruturação, uma reavaliação e um redirecionamento. Creio que todo e qualquer distúrbio físico acontece como oportunidade para um salto de consciência.
Considerando estarmos constantemente envolvidos com as exigências de sobrevivência diária e que não temos ainda o hábito de valorizarmos nossas necessidades mais interiores, poderíamos aproveitar o desconforto e mau funcionamento do corpo, para nos perguntarmos se estamos vivendo a vida que queremos. Desde uma simples dor de cabeça, acidentes corriqueiros, doenças crônicas até males fatais, o fator comum sempre é: algo não está nos fazendo bem. E em alguns casos por muito tempo, tempo demais!
A medicina tradicional ainda reage à idéia que o ser humano adoece como conseqüência de uma série de fatores e que em alguns casos, o processo de cura não se efetivará ainda que a medicação seja comprovadamente correta e eficaz. E não sabe explicar como pacientes que foram sentenciados como terminais, simplesmente encontram o caminho de volta à saúde.
Atualmente, para desgosto dos médicos, já exige uma série de trabalhos sérios, feitos por pessoas conceituadas, que abrem espaço para uma abordagem mais abrangente e eficiente. Não se tratam de livros que vendem milagres ou curas espirituais. Muitos apenas descrevem o processo de cura de pessoas que se recusaram a se deixar vencer pela doença. Alguns tratam de anos de observação das características emocionais comuns aos pacientes com semelhantes sintomas. Enfim, começa-se a ter acesso a informações que sugerem a possibilidade da doença exemplificar o conflito que precisa ser encarado, trabalhado e superado para restaurar a saúde. É o mesmo conceito que vende a idéia que obesos precisam mudar o estilo de vida e não fazer somente dietas.
Não precisa ser um gênio para se chegar a essa conclusão.
Quanto mais séria a enfermidade, maior a necessidade de reavaliar nosso estilo de vida.
Todos nós já conhecemos alguém que passou pela longa e penosa jornada para vencer uma doença muito séria e que confessou ter sido abençoado pelo susto. Muitos de nós lemos ou ouvimos esse tipo de histórias e nos emocionamos com as revelações, descobertas, confissões partilhadas por essas pessoas. Parece-me que somos tocados por esses eventos porque intuitivamente reconhecemos nosso desligamento com a qualidade da vida. Percebemos a veracidade nesses relatos que normalmente descrevem a emergência em reatar laços afetivos, abrir mão de preocupações com o futuro, viver intensamente o momento atual e principalmente ser honesto com suas necessidades interiores. O que para muitos significa apenas resgatar eventos triviais como ter tempo com amigos, colocar a leitura em dia, reaprender a dar uma boa gargalhada ou simplesmente chorar.
Estar doente é ter que encarar que chegamos a um limite. O sistema não pode mais funcionar a contento. E isso é apenas a ponta do iceberg, o que se pode ver facilmente.
O processo de cura é mergulhar e reconhecer o que está submerso, pressionando, inflamando e minando o equilíbrio e bem estar. Muitas ferramentas existem para auxiliar o retorno à saúde. A questão é perceber a diferença entre a liberdade dos sintomas e a real dissolução da causa.
Estar saudável deveria ser sinônimo de corpo em pleno funcionamento, mente desacelerada e emocional preenchido. Saúde deve significar o fluxo livre entre movimento e relaxamento. Poder se mover e saber parar. Ser capaz de sentir e expressar sentimentos, respirar profundamente sempre, ter laços emocionais estáveis e profundos, usar a mente com eficiência, usufruir de momentos cheios de silêncio. Enfim, nessa direção, a lista pode ser interminável. No entanto, só um ponto é o mesmo, para ser saudável precisamos voltar nossa atenção para dentro, questionando o que falta para sermos felizes e completos. Restaurar a saúde é reconectar com nossa verdadeira essência e ousar ser o que somos. Muito simples e profundamente complicado. Surpreendentemente desafiador. Esse é o momento onde fica claro a total insanidade em ver o ser humano como um mecanismo físico apenas. Se parar para se perguntar quem é, o que quer, o que precisa, o que lhe faz feliz, o que lhe faz mal, o que lhe dá prazer, o que deseja, etc, perceberá que sua mente fica aflita, seu emocional borbulha e seu corpo reage com diferentes sensações. Caso tenha coragem de olhar para sua complexidade e aceitar essa necessidade de manter tantos níveis em equilíbrio, terá dado o primeiro e mais difícil passo de volta à saúde!

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