sábado, 12 de abril de 2008

Crescer



Quem proclamar que crescer é fácil, deve ser questionado e desafiado a provar. Envelhecer, ganhar anos, isso sim independe de esforço. Mas, a arte de amadurecer e desabrochar, essa exige um cuidado, uma consciência, uma atenção constante que nos eleva quase à genialidade.
Partindo do princípio que somos representações do Criador, temos que encarar o fato que possuímos um potencial ilimitado, embora latente. Não nascemos com o mesmo desenvolvido e pronto para a sua utilização. Piada cósmica ou não, é nossa tarefa nos tornarmos conscientes de nosso potencial e aprendermos como usá-lo, da melhor maneira possível. E creio ser essa a verdadeira, senão única, razão de nossa jornada terrena. Resta saber como fazer tendo que sobreviver nesse mundo nada amigável que construímos.
Não importando o caminho que escolha, científico, religioso ou sei lá mais o que, como em qualquer outra circunstância, para atingir ao máximo aproveitamento temos que passar pelo processo de investigação e conhecimento. No caso de uma máquina, ninguém questiona a necessidade de reconhecer utilitários, mecanismos de movimentação etc. Surpreende a reação de dúvida quando a mesma teoria se mostra importante em nossas vidas. Perguntas como: Quem sou eu? O que quero? O que gosto? O que preciso? O que me nutre emocionalmente? O que me sabota? etc, normalmente são respondidas com ironias ou mostras de descrença. Não é difícil perceber como criamos um mundo que de fato não protege ou dá suporte ao ser humano. Nosso foco de visão está virado para fora. Compreensível, mas limitador. Olhar para o que nos rodeia significa encontrar respostas, criar superações. Infelizmente, cobra um preço alto demais. E isso acontece porque perdemos a capacidade de fazer essa revisão pautados no que acontece dentro de nós.
Quando coisas, utensílios, construções, empreendimentos, se tornam de mais valor que nossa própria essência, abrimos espaço para uma realidade como a que estamos vivendo. Gasta-se mais dinheiro com a destruição do que com a criação. Perde-se a noção do quão importante é a vida. E a sofisticação extingue a possibilidade do natural.
Nesse contexto nos tornamos doentes, neuróticos e solitários. Olhamos resignados para o momento atual, enfrentamos o desânimo e apenas caminhamos dia após dia num estado apatetado e insensível. Sobreviver a qualquer custo. Será?
O corpo humano é sem sombra de dúvida a mais complexa criação existente. E não importa o quanto já imaginamos compreendê-lo, ainda nos surpreende com resistência, adaptação, capacidade de dar prazer e de se curar. Isso apenas levando em consideração o físico, o mecânico e o material. Se corajosamente incluirmos nossa capacidade de pensar, sentir, transcender... a equação se eleva a níveis de extrema grandeza.
Somos maiores e melhores do que aprendemos no dia a dia. Somos imperfeitos e divinos. Somos pequenos reféns do tempo linear e deuses encarnados no milagre da vida. Somos uma inteligência científica restrita e mestres de sabedoria inexplicável. E ainda mais desafiador: Somos únicos e iguais. Nesse eterno paradoxo, somos o potencial de tudo que podemos imaginar. Arriscado e exigente o assustador convite a aceitar a responsabilidade de florescer.
Crescer não é soprar velinhas no bolo decorado. Crescer é reconhecer o reflexo no espelho. É saber olhar através da escuridão e se transformar em luz. É se comprometer com sua própria verdade. É arriscar o contato direto e nu com o próximo. É entender que a dor acorda e mostra o caminho. É abraçar a alegria e o prazer sem culpa. É reconhecer que a bondade se encontra no auto – respeito.
É celebrar a possibilidade de recomeçar. É o resgate de sua unicidade. É a comunhão com todos os outros. Crescer é o desafio supremo. Complexo e infinito questionamento. Doloroso processo de muitas quedas e tropeços. Estranho e milagroso investimento que custa o que não temos realmente e que nos retribui com tudo o que esperávamos encontrar alhures.

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