Quando iniciei meu processo de auto conhecimento, tive a recomendação de procurar um determinado massagista. Nessa época, ser tocada significava estranheza, insegurança e desconforto. Deitar na maca e permitir que um homem desconhecido trabalhasse meu corpo foi um desafio de grandes proporções. Felizmente, caí em mãos extremamente competentes e sérias. Por aproximadamente 06 anos tive sessões semanais e aos poucos fui aprendendo como relaxar e saborear os prazeres advindos de uma boa massagem.
Muita coisa aconteceu desde então.
Hoje, recebi mais uma massagem com pedras quentes e fiquei surpresa pelas reações do meu corpo. No decorrer dos anos aprendi a gostar de ser tocada, me sentir confortável na exposição que um trabalho assim exige e deixar que o corpo realmente se entregue ao processo que leva ao relaxamento profundo. Mas, normalmente isso acontecia de forma sonolenta e superficial.
Como estava afastada desse tipo de trabalho por um período razoável, pude ver claramente como mudei.
Percebi que amadureci e desenvolvi uma sutileza de sentir muito especial. Fiquei encantada com a imensa gama de sensações que meu corpo é capaz de criar. Foi uma viagem indescritível com novidades por todo o caminho. E a melhor parte foi ter sido capaz de estar acordada e relaxada ao mesmo tempo.
Sentir o contraste do trabalho direto das mãos e da “dureza” das pedras, já é um convite para estar aqui e agora. As mudanças constantes de temperatura, do muito quente para o morno confortável e o retorno a temperatura ambiente também criam uma possibilidade de presença. O uso do óleo acrescido de água morna desperta uma curiosidade que só facilita esse processo.
Foi sensacional observar as reações internas. Como é vasto esse mundo físico do corpo humano. Dinamicamente reagindo a cada toque sem repetição de sentimento. Ondas agradáveis se espalhando para todo lado, pequenas tensões dolorosamente cedendo em calor, músculos esticando como uma coceirinha brincalhona borbulhando energia, estalos de ossos que dão vontade de sorrir, alongamentos suaves com gosto de mais um pouco, respiração naturalmente profunda como lago imóvel e cristalino, vibrações elétricas como pequeninas faíscas ricocheteando pelos lugares certos... AH!!!! Prazer de simplesmente ser.
Enfim... Sei que sei muito pouco... Apesar disso, posso dizer com certeza: qualquer esforço, tempo e dinheiro gasto para descobrir esse espaço, valeu a pena. E ainda ouso dizer: não existe nada do lado de fora que possa gerar o prazer que senti apenas prestando atenção ao meu corpo e me deixando sentir. Creio que felicidade é simplesmente conseqüência natural desse estar à vontade consigo mesmo. Recomendo!

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