
Dizem que aprendemos com os erros. Dizem que precisamos da experiência do não acerto para crescer. Mas, não há quem tenha coragem de dizer que a humanidade está racionalmente repetindo erros, os mesmos erros, há muito tempo. Dizem menos ainda que repetir erros é sinônimo de falta de aprendizagem, ou até mesmo burrice pura e simples. Parece que apesar dos exemplos, ainda esperamos que uma mentira repetida exaustivamente se torne verdade. Como se não bastasse, ainda tentamos justificar nossas escolhas com base no que sempre foi... “Assim era com a avó da minha avó”...
Que o passado seja referência para a construção do presente e do futuro. Mas, que seja pelos méritos e não pela aceitação passiva das estruturas que nos mantém aleijados e infelizes.
Em termos de relacionamento, os roteiros medievais existentes não deveriam estar mais em uso. Deveriam ser exemplos daquilo que se tornou obsoleto e ineficaz. As noções do que é ser homem, mulher, marido, esposa, filha, filho, etc, deveriam ser revistas à luz das novas exigências do dia a dia contemporâneo.
Se não por outra razão, pela simples fato de que não mais respondem aos anseios humanos. E para chegar a essa conclusão basta olhar ao redor. Digo ao redor, porque parece mais fácil detectar a infelicidade alheia. Aliás, olhar para fora é na verdade a grande vilã dessa história mal contada.
Usamos todo tipo de justificativa para nos mantermos no que consideramos seguro e conhecido. Especialmente se estivermos falando de relacionamentos duradouros. Casado legalmente ou não, parece que uma vez estabelecido à parceria, algo morre. A sedução, o cuidado atencioso, a escolha consciente de compartilhar momentos, são dia a dia substituídos pelas obrigações que supostamente a própria relação traz. Move-se da escolha para o processo de barganha. Já não há mais a priorização natural e sim o desempenhar dos deveres. E a partir daí, a relação entra no processo de cobrança, de insatisfação e de perda da graça.
Dizem que é assim que funciona, sempre funcionou e irá continuar funcionando... A rotina é inimiga por demais poderosa. Os filhos exigem renúncias. E pensar em quebrar o script aceito socialmente traz o peso da sensação do profundo fracasso. Parece ser uma escolha mais inteligente seguir nessa monotonia anêmica do que correr o risco de ser considerado um ser alienígena e ameaçador.
O núcleo familiar deveria ser o oásis da humanidade. Todo ser humano necessita de preenchimento emocional, contato físico e da certeza de poder contar com quem ama. Não é isso que vem acontecendo. As famílias se mostram problemáticas e os casamentos áridos de amizade e amor. As pessoas temem ser o que são e deixam que a distância se crie através do medo de ficar sozinho. Como o cachorro que morde o próprio rabo, vencido pelo medo paralisamos no silêncio, nos afastamos e caminhamos à deriva. O fruto morre antes de amadurecer. Mas, é assim... Sempre foi assim... Conviver é difícil... Precisa-se ceder, abrir mão... Será?
Penso que existe saída e solução. Para começar sugiro abolir para sempre o conceito de ceder. Parece-me causa mais importante para o fracasso da relação, já que abre a porta das cobranças e ressentimentos. Se gosto de ballet e você de futebol, precisamos lidar com isso. Ou vamos cada um para um lado e nos encontramos depois, ou decidimos estar juntos abrindo mão tanto do ballet quanto o futebol, ou ainda um de nós ESCOLHE estar com o outro porque se sente MAIS FELIZ assim. Sem favores, sem cobranças posteriores.
Expressar o que sente é outra parte importante. Ainda que não faça sentido. Permitir-se dizer, mostrar, validar seus próprios sentimentos, abre espaços de intimidade, de crescimento espiritual, de amizade, além de criar o “convite” para que o outro se coloque à vontade também.
Respeitar a liberdade é outra importante e básica parte da equação. Liberdade no sentido de ser responsável com os seus próprios limites, sabendo se manter integro. Uma pessoa que abre mão de si próprio, alimenta o ressentimento e a raiva. E certamente irá cobrar mais a frente.
Resumindo: use a verdade sempre! Expresse o que lhe toca o coração. Esqueça o conceito de ser perfeito e busque apenas ser total. Esteja presente no momento, se ame muito e deixe as portas abertas para o outro.
E pare terminar: Jamais deixe assuntos não resolvidos! Um machucado ignorado é uma ferida que cresce e apodrece todo o sistema. Arranhões são fáceis de curar... Gangrena, nem tanto.
E quando se sentir em dúvida de que atitude tomar, tente a que lhe faz bater mais rápido o coração. A insegurança nos faz mais atentos e cuidadosos. Use-a para se manter consciente! Se errar, lembre-se: precisamos errar para aprender. Aprenda e siga adiante. Cresça e floresça. Saia do comum e busque o extraordinário. Seja o melhor que pode pelo seu bem e pelo de todas as pessoas que ama. Ser verdadeiro e comprometido com a felicidade me parece a forma mais carinhosa de mostrar amor. Dê a si próprio o néctar da vida e naturalmente transbordará para a relação e seus envolvidos.
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