quinta-feira, 19 de julho de 2007

Paixão



Sempre descrita como um sentimento intenso, vibrante e quente. Rosas vermelhas, beijos insaciáveis, suspiros profundos, encontros mágicos e acima de tudo uma vontade quase incontrolável de possuir o objeto da paixão.
Força poderosa, vontade clara, ímpeto de busca e certeza uterina da vitória sobre qualquer obstáculo. Uma vez apaixonado, não mais existem empecilhos, retorno, e até mesmo bom senso. Apenas, o caminhar decidido em direção àquilo que poderá saciar e preencher esse chamado da alma. A qualquer preço!
Fazendo sentido ou não, estar nesse estado embriagado, pode ser ocasião de profundo júbilo. Principalmente se existe reciprocidade. Quem irá discordar que a paixão intensifica as cores, aprofunda os odores, revitaliza as monotonias diárias e abre as portas de um mundo que vale explorar, conquistar e viver?
É claro que nem tão brilhante assim é estar encantado por algo que não nos reconhece ou aprecia. A paixão frustrada, não correspondida, gera frutos dos mais amargos e até mesmo cruéis. Sendo uma energia que cobra movimento, exposição, conquista e entrega intensa, traz em si mesma o potencial para muita destruição. A vingança certamente se encaixa nessa categoria.
Mas, deixando os tropeços e dissabores para outros, quando somos capazes de celebrar e viver um momento de paixão, atingimos espaços interiores que seriam difíceis de explicar. Êxtase que chega a doer de tão bom. Algo se parte dentro do corpo, barreiras se rompem, tudo se modifica e transforma. E junto com uma inspiração profunda, nos percebemos renovados, refeitos e melhores.
Não haveria sentido viver sem ser capaz de sentir paixão. E não há paixão se não existir desejo. Aliás, creio que qualquer desejo, nada mais é do que uma vontade envolvida por esse sentimento. Sexual ou não, o desejo cria um espaço para o novo, para a criatividade, para o crescimento. Desejar alimenta a alma, desperta os sentidos e fortalece o compromisso de viver com qualidade. Querer algo intensamente nos enraíza na experiência direcionada de sermos criadores de nossa realidade. E de quebra ainda nos desafia a olhar para dentro, encarar nossas carências, nossos medos, nossas necessidades e nossos sonhos.
O que desejamos exemplifica o momento onde estamos. Desejamos aquilo que intuímos, mas não somos capazes de criar sozinhos. Projetamos o que precisamos naquilo que julgamos capaz de concretizá-lo. E com isso nos mantemos vivos.

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